Atrás do Crime - conquistando os leitores do Brasil

Atrás do Crime - book trailer

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

CHAMAS DA NOITE comemora 1 ANO DE PUBLICAÇÃO.



"As chamas, em questão de segundos, dominaram o local, gerando pânico naqueles que, inutilmente, procuravam uma saída. Por todo lado, fumaça. Antes mesmo de a luz se apagar por completo, a visibilidade era mínima. Somente uma espessa camada de fumaça negra era nitidamente percebida: ela chegava agressiva, invadia todas as divisórias, incluindo os banheiros, onde alguns ingenuamente acreditavam poder se esconder. Era fatal: a fumaça negra era uma terrível assassina, espalhava o rastro da morte.
Quando nossos amigos e alguns bombeiros conseguiram, do lado externo, derrubar parte da parede para que, finalmente, saíssemos do local do incêndio, fiquei aliviado. Ajudei minha sogra a sair com vida, depois retornei, ajudando ou quase empurrando meu sogro para fora. Ele queria ficar ali, não sei se só para ajudar quem precisasse ou se para ser consumido pelas chamas – aquele lugar era a vida dele sendo queimada.
Uma vez mais retornei ao interior, pois ainda havia muitos que precisavam ser socorridos. Quando para lá voltei, percebi que já era tarde demais para muita gente. Sentindo-me sufocado, fui forçado pelos bombeiros a me retirar. Embora estivesse longe das chamas, não estava a salvo. Cambaleei por cima de uma multidão de corpos até cair, a respiração dificultada pelo veneno silencioso que havia se entranhado em mim.
“Maria Luísa!”, chamei, as palavras engasgadas na garganta seca.
Não havia mais o que fazer, logo a intoxicação fez com que eu perdesse os sentidos. Dali, só acordaria em outra dimensão."

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O TESOURO DA DUNA 7

Texto digital, já à venda aqui.




Sinopse 
A racionalidade de Karl Schroeder, um alemão que decidiu viver em Walvis Bay, ficará em xeque após conhecer Janet, uma garota da tribo Herero que faz questão de manter as tradições de seus ancestrais. Em tudo, Janet é diferente de Karl: ela vive numa residência construída com barro e esterco enquanto o alemão usufrui de sua mansão de frente para o mar; ela usa um sino atado à perna, símbolo de sua virgindade, enquanto Karl não conhece garota alguma que ainda seja virgem aos vinte anos de idade; a mãe de Janet usa vestido de séculos passados junto a um chapéu que representa chifres de vaca enquanto Karl veste descontraidamente bermuda e camiseta. Ainda assim, Karl não resiste à paixão e depois de uma insuportável batalha contra seus sentimentos, decide se declarar a ela. Nesse dia, contudo, o inesperado acontece e Janet lhe conta que irá se casar com um homem da mesma tribo que a dela. Karl ficará transtornado com a notícia, mas uma sucessão de acontecimentos provocará uma reviravolta surpreendente na vida dos dois! 

Da autora: 
Cristiane Krumenauer, especialista em Literatura Brasileira pela UFRGS, mestre em Linguagem pela UniRitter Laureate International Universities e autora de romances policiais como Chamas da Noite (Giostri, 2014) e Atrás do Crime (Giostri, 2015), lança agora a série Contos da Namíbia, com textos inspirados no período em que reside na África. Depois de Swakopmund (livro 1) e A filha que se perdeu duas vezes (livro 2), O Tesouro da Duna 7 é o terceiro conto da série, e tem por cenário principal a duna mais alta da cidade portuária de Walvis Bay. No conto, um romance cheio de obstáculos culturais e grandes revelações quanto à índole dos personagens desequilibram o leitor que se surpreende com o desfecho da trama. 

Contos da Namíbia – uma série com ação, suspense e a poeira do deserto! 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Das (a)provações que eu tinha


De muitos obstáculos que enfrentei ou que me faziam enfrentar, aprendi com muito custo a superá-los em silêncio, sem me debater contra aquele que o implantava diante de mim, tentando me derrubar. Aos vinte e tantos anos, as afrontas são vistas como uma grande ameaça e a melhor posição que pensamos adotar é a de ataque. Eu atacava. Atacava sempre e sempre à altura dos que me atacavam. Eu não permitia me calar e ficar observando. Achava que tinha que me defender. Pois é... na verdade, eu não tinha.

Com o tempo, quando fui amadurecendo e estava numa posição de poder analisar as ameaças sem sentir medo, consegui perceber muita coisa. Num período de plena consciência e não muita fragilidade, parei de reagir contra aquele que me ameaçava. Simplesmente deixei acontecer e o resultado me surpreendeu, até hoje.

Foi quando parei de reagir que meus inimigos foram derrotados... por si próprios! Minha atitude não foi outra senão a da observação. Quanto mais os inimigos tentavam me oprimir no trabalho, mais pessoas ao meu redor passaram a me defender, incluindo os chefes, que prezavam pelo bom relacionamento no ambiente.

Um dia, ainda recordo como se fosse hoje, perguntaram a minha opinião sobre a possibilidade de demitir ou não o meu adversário. Aquilo me pareceu estranho, pois não cabia a mim tal decisão, afinal, eu não era parte da diretoria. Fui discreta, fui ética, disse que haveria que se pensar onde conseguiriam contratar outro profissional com as mesmas qualidades.

Os dias iam seguindo e a velha estratégia inimiga persistia: “se quiser ser alguém, esmague seus adversários. Mostre que seu trabalho é melhor ressaltando os defeitos do outro”. Que bom que na vida, nem sempre é assim. 

No final do ano, quando tive que pedir demissão pela transferência de meu esposo para o Estado do Rio de Janeiro, meu inimigo fez uma festa de despedida. Sinceramente, eu cheguei a pensar que toda a encenação fosse verdade! Aproveitei a festa, despedi-me de meus colegas e agradeci muito pela oportunidade de ter estado com eles. Agradeci também ao meu inimigo, por ter se importado em mobilizar o pessoal em meu último dia de trabalho. Somente dias depois que percebi a sua estratégia: ele estava sendo malvisto por não ter um bom relacionamento no trabalho. A festa, então, era uma tentativa de mostrar a todos que ele se dava bem comigo e que não havia motivos para que os colegas, e principalmente os diretores, se pusessem contra ele.

Eu não acredito que todas as pessoas sejam puras, pois sei do que são capazes para alcançar o que desejam. Ainda assim, não vou ser artificial, tampouco pretendo me tornar uma estrategista. Eu sei que para se chegar ao sucesso, precisamos ter certas desenvolturas, mas acredito que, acima de tudo, há um Deus que rege tudo isso.

Eu não fui fraca por não reagir ao confronto. Apenas acreditei e acredito que há alguém iluminando minha vida. Acredito também que precisamos ficar mais atentos ao que fazemos. Se agirmos irresponsável e maldosamente, logo veremos os malefícios que criamos... a nós mesmos.  

Não tenho dúvidas disso! Meu adversário não se manteve no emprego. A mentira não tem e nunca terá forças para vencer o tempo. Eu mesma, quando entregue ao orgulho e à raiva, já colhi muito que não queria colher. Paciência! A vida é um aprendizado, às vezes sutil, na maioria das vezes cruel.

Nem sempre é fácil enxergarmos o porquê de estarmos em determinada situação. É preciso viver e refletir para passar a perceber certas coisas. Eu sigo vivendo... mais feliz do que infeliz, mas para continuar assim, pretendo continuar vendo e analisando o que me move até aqui.

A vida não é um deixar viver. Temos o compromisso de aprimorar dia após dia. Essa tarefa não é fácil, é cansativa, mas tem que perdurar a vida toda, dos primeiros aos últimos dias. Ela faz parte de nossa natureza – da natureza humana – e, ao meu ver, não há nada que traduza melhor o sentido de humanidade que o constante aprimoramento. A sabedoria do mercado pode ser conquistada com astúcia, vários diplomas e certificados. Mas a sabedoria da vida provém dela mesma!

                                                                                                                CRISTIANE KRUMENAUER                   
                                                                                            é mestre em Letras, especialista em Literatura e
                                                                                          escritora de romances policiais, contos e crônicas.