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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

DICAS ESTRANHAS PARA ESCRITORES (ENQUANTO ESTIVEREM ESCREVENDO)



      Olá, escritores! Está focado num projeto? Escrevendo seu livro e não quer perder tempo com distrações? Então, essas dicas lhe cairão muito bem. Vamos a elas:


1)   Evite ler livros do mesmo gênero que o seu

      Acredite: não é bobagem! Enquanto estiver escrevendo seu livro, evite-os. Quer saber por quê? Ok.
     Você talvez esteja escrevendo um ótimo livro policial, ou de suspense, ou de terror, ou de amor nas montanhas de algodão-doce. E, nas horas vagas, lê um best-seller do mesmo gênero que o seu, daquele autor incrível com o qual você sonha (quando acordado). Há um problema nisso? Sim, é lógico! Porque em vez de esse autor inspirar sonhos, ele pode acabar frustrando os seus. É como uma dose dupla de realidade, sem gelo. Você lê o livro do cara e, inevitavelmente, compara-o com o seu, que está apenas em processo de criação, sem as correções necessárias, sem reescrita; ou seja, cru e inacabado. O que vai acontecer? Você vai achar seu texto uma porcaria.
     Então, minha dica: leia outros livros. Não pense que estou sugerindo que você abandone a leitura, hein? Nada disso! Aproveite o tempo em que você estiver escrevendo seu livro, para conhecer gêneros e estilos diferentes do seu. Isso vai trazer inspiração e novas ideias, sem jogar um balde de água fria na sua escrita.


2) Cheque as palavras que está usando

     Em seus livros, há apenas palavras de uso comum ou existem algumas que podem ser acrescentadas no dicionário mental do seu leitor? Não sugiro que use apenas palavras rebuscadas, a ponto de fazer o leitor gaguejar e desistir da leitura. Não é isso. Contudo, é sempre bom ensinar alguma coisa, especialmente, palavras. Você pode, de vez em quando, usar palavras como “umbral”, “soleira”, “átrio”, “limiar”, na descrição arquitetônica de um lugar. Sempre que puder dar algo ao seu leitor, desde que não se torne pedante a ponto de descrever a casinha da fada em cinco páginas, sugiro que use uma ou outra palavrinha rebuscada. 


3) Compartilhe experiências pessoais

     Lembra-se do seu primeiro beijo? O que foi que sentiu? Com quem foi? Em que lugar? A saliva dele(a) pareceu-lhe salgada e aquela meleca gosmenta fez você concluir que beijo era repugnante? Ou, ao contrário, foi uma sensação tão boa que você até esqueceu que o garoto/a garota estava resfriado(a) bem naquele dia?
     Quando você descreve uma experiência pessoal, tudo se torna mais fácil e atraente. Você consegue esmiuçar os detalhes, o cheiro que sentiu, a impressão que teve – e tudo com maior veracidade. Diante disso, alguns leitores vão até se identificar com a personagem que você criou – afinal, experiências humanas podem ser mais previsíveis do que se pode imaginar. Nunca são idênticas, é claro, mas são semelhantes em pontos que jamais podemos imaginar.


    4) Não escute música

     Outro absurdo, não é mesmo? Na verdade, não. Entenda: música desperta na gente muitos sentimentos. Então, quando você estiver escrevendo uma cena arrebatadora e acabar desidratando o corpo de tanto chorar, deve se perguntar: “Estou chorando por causa da cena? Ou por causa da música que estou ouvindo agora?”. Quer fazer o teste? Desligue o som. Releia seu texto. Você chorou no embalo de suas próprias palavras? Ou faltou a música de fundo para que atingisse o ápice das emoções?
      A dica é válida porque o seu leitor não estará ouvindo a mesma música que você. E, ainda que escute, talvez o leitor nem goste daquela música. Portanto, você deve levar o leitor a chorar, a rir, a se comover, a se assustar – sem música! Apenas com suas palavras. Por isso, é complicado produzir um texto e escutar a sua música preferida ao mesmo tempo, ok?


   5)  Dê uma caminhada, enquanto pensa no próximo capítulo

     Muitos escritores são estranhos – parecem sempre perdidos nos próprios pensamentos, não é mesmo? Às vezes, meu filho conversa comigo e eu tenho que parar de perseguir o bandido com meu 38 para voltar à realidade e dizer “O que foi que disse?”. Isso acontece quando mergulhamos de cabeça num projeto, e não há nada melhor do que aproveitarmos nosso tempo ao máximo. Uma sugestão eficaz: vá fazer sua caminhada ou sua atividade física (não, mover os dedos enquanto digita durante oito horas não é exercitar o corpo!) e aproveite para criar mentalmente seu próximo capítulo. Você vai se surpreender quando voltar a sentar diante do computador – as palavras vão dançar um Rock N` Roll na tela, afinal, você já sabe o que escrever.


   6) Pergunte-se se seu leitor morreria por seu personagem

     Alguns livros são tão maçantes que nunca deveriam ultrapassar duzentas páginas, enquanto alguns outros, com mais de quatrocentas, fazem o leitor lamentar quando está próximo do fim. Um dos motivos disso é quando o autor consegue fazer o leitor se apaixonar por seus personagens (não dos vilões, necessariamente), construindo um elo entre eles. 
     Seu personagem está bem construído a ponto de ser amado ou odiado pelo leitor? Quem e como seu personagem é? 
     Lembre-se de não descrever os longos cabelos loiros da protagonista e a marca do jeans que ela usa, se não tiver um propósito para isso. E não descreva “Beatriz era um anjo de pessoa”. Em vez disso, mostre ao seu leitor o quanto ela é boa: “Beatriz ajoelhou-se diante do mendigo, entregou-lhe uma nota de dez reais e emitiu um sorriso constrangido, porque sabia que aquele dinheiro não iria tornar a vida daquele miserável melhor”. Mostrar é sempre preferível do que descrever.


   7) Não deixe abismos no texto

     O leitor está lendo seu livro, está quase chegando no desfecho final, quando de repente, a história termina de forma tão brusca que o leitor se pergunta: “Peraí: acabou?”. 
     Não seja cruel com leitor. 
    Não o faça se atirar num precipício para conhecer o fim da história. Alcance a ele uma corda de rapel, pelo menos. Uma escada é mais indicada – o leitor pode descer os degraus e avistar o chão aos poucos, até alcançá-lo em definitivo, o que lhe trará maior satisfação do que uma queda-livre, em que ele vai se estatelar lá embaixo!


   8)  Não encha o cálice do leitor de uma só vez

      Já foi a uma degustação de vinho? É bom, não é? 
     O que podemos aprender com esses eventos é nunca encher o copo do leitor até a borda, de uma só vez. 
    Não queira embriagá-lo – como o leitor conseguirá continuar a leitura se estiver num coma alcoólico? 
    Vá servindo-o aos poucos, segurando os mistérios e revelando apenas detalhe deles, em cada capítulo, até desnudá-los por completo no fim. Isso não quer dizer que você deva exagerar, deixando o leitor na mais completa abstinência até, por fim, despejar a garrafa inteira em sua boca! Calma! Sirva aos poucos; primeiro, um dedinho do Tannat; depois, dois dedinhos do Cabernet; até finalizar com um belo Boschendal, Reserva 2012. 
      Medida certa é essencial para seduzir seu leitor.


    9)  Revise diálogos

     Cuidado com gírias e regionalismos – ao mesmo tempo que eles dão maior verossimilhança por permitir diálogos mais convincentes, eles tornam seu livro marcado pelo tempo e pelo espaço. 
     Duas das características para uma obra ser considerada de qualidade é ser atemporal (ou seja, ter relevância e ser compreendida mesmo cem anos depois de publicada, p.ex.) e universal (ou seja, poder ser lida e falar ao coração das pessoas de todos os lugares do mundo). Isso significa que gírias e regionalismos são prejudiciais, caso o autor não tenha tato ao usá-los. 
     Se você sabe a medida certa, okay, vá em frente. Do contrário, evite-os sempre que puder.


     10)     Tenha em mente a estrutura de sua narrativa

     O narrador é em primeira pessoa? É narrador-protagonista ou testemunha (autodiegético ou homodiegético)? Ou então, é um narrador em terceira pessoa (heterodiegético)? E, ainda, ele está narrando no pretérito ou no presente?
       Tenha sempre em mente as suas opções para não acabar se perdendo no texto. 
    Lembre-se das limitações do narrador em primeira pessoa, já que ele é um personagem e, consequentemente, não sabe de tudo. Lembre-se, também, que, se seu narrador for em terceira pessoa, isso não significa que tenha que contar tudo ao leitor. Ele pode ser misterioso, sim, e só compartilhar os segredos na hora certa.  
      Do mesmo modo, se o narrador estiver discorrendo sobre os eventos no passado, procure manter assim. A mudança de tempo verbal só deve ocorrer em trechos precisos e desde que você, autor, saiba o que está fazendo!



     Gostou? Concordou ou discordou? Espero que as dicas tenham sido úteis.

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     Em breve, indicações imperdíveis de leitura.

     Fique bem, leia muito!

                                      Cristiane Krumenauer

                               Escritora e Mestre em Literatura

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